>>> Ayahuasca - O chicote da alma
 
       

01. cipó: jagube ou mariri

02. chacrona ou rainha
03. infusão preparada


Quase todas as culturas americanas ( Norte, Centro e Sul ) utilizam plantas de poder em técnicas curativas para os mais variados distúrbios orgânicos e emocionais, em rituais praticados por pajés, xãmas ou curadores. Segundo as tradições populares, resgatadas e estudadas ao longo dos Séculos XIX e XX, tais plantas facilitam o processo de harmonização interna e purificação geral do organismo.
A ayahuasca – Conhecida há séculos em toda a Amazônia Ocidental, mais do que uma planta é o resultado da cocção das folhas de uma rubiácea, a “rainha” ( Psychotria viridis ) com pedaços de um cipó, o “jagube” ( Banisteriopsis caapi), obtendo-se um chá de cor marrom e sabor amargo-azedo.

 


Feitio indígena de
ayahuasca

 

Enquanto a Psychotria viridis contém nas folhas o alcalóide DMT ( dimetiltriptamina ), com fórmula química idêntica à de um neurotransmissor ( a serotonina ), o Banisteriopsis Caapi carrega no caule um princípio ativo ( tetrahidroamina ) que inibe a metabolização do DMT no trato digestivo superior ( esôfago e estômago ).Assim, cerca de 30 minutos após sua ingestão, quando a bebida já atingiu o intestino delgado, seu principal alcalóide psicoativo ( o DMT ) é absorvido pela corrente sanguínea e segue até o sistema nervoso central, onde instala a hiperativação das funções cerebrais perceptivas, cognitivas e mnemônicas, levando todo o cérebro a operar em uma taxa muito maior do que a que se verifica costumeiramente, desenvolvendo as funções de percepção, conscientização e memória – que representam a base central do psiquismo humano.

Desta forma, tanto a percepção de si quanto a percepção do meio ambiente são magnificadas, ao mesmo tempo em que o processamento consciente de informações se intensifica e a memória é ativada, fornecendo à consciência dados que nela residiam mas estavam apagados ou menos disponíveis para acesso imediato ( fora do campo egóico de consciência ).

A ayahuasca é prejudicial em algum aspecto ?

Estudos realizados em meados da década de 80 pelo CONFEN ( Conselho Federal de Entorpecentes ) indicam que : a ingestão continuada de ayahuasca não gera dependência alguma, não compromete o comportamento social, familiar ou produtivo do indivíduo, não prejudica o seu desempenho mental ou orgânico e nem induz ao consumo de drogas; ao contrário, inúmeros são os casos de alcóolatras ou drogados que abandonaram seu vício ao realizar trabalhos regulares com ayahuasca, quando passaram a lidar mais maduramente com os seus problemas pessoais e a buscar soluções produtivas para os desafios do dia-a-dia (além de viver de forma organizada os estados alterados de consciência buscados compulsivamente através das drogas).



Manifesto Andino - Ayahuasca não é droga!


As eventuais reações de vômito ou diarréia que por vezes acometem os participantes do trabalho de cura, são indicativas do processo de limpeza e purificação que está se dando; estas reações passam imediatamente, facilitando o processo interno de autoconhecimento.

Por outro lado, os trabalhos não são vedados a pessoas de nenhum credo específico, pois os valores centrais espirituais e de vida expressos correspondem aos defendidos por todas as doutrinas religiosas da Humanidade e mesmo por pensadores humanistas não religiosos: amor ao próximo, caridade, compreensão, trabalho, honestidade, respeito humano, respeito à individualidade, enfim, valores humanos universais, encontrados em culturas de todas as épocas.